Atomos e
moleculas
Um átomo é
constituído por um núcleo e por eletrons que gravitam em
volta dele, em orbitas definidas. As dimensões dos átomos são
da ordem do Angstrom (1Å=10-1nm).
O núcleo é muito denso e não ocupa, aproximadamente, senão a
décima parte do volume do átomo.
O núcleo do átomo
comporta protons, neutrons e outras partículas complexas. Os
protons são as partículas carregadas positivamente. Num
determinado átomo, existem tantos protõns como eletrõns, os
quais são carregados negativamente. Assim, o átomo é neutro. O
número de protrõns de um determinado átomo constitui o seu número atómico. Escreve-se em baixo e à esquerda do
símbolo do átomo considerado:
- O núcleo do átomo de hidrogénio contem um protão: 1H;
- O núcleo do átomo de carbono contem seis protrons: 6C.
Designa-se por massa nuclear, o número de neutrões e de protões
presentes no núcleo. Inscreve-se em cima e à esquerda do
símbolo do átomo considerado:
- O núcleo do átomo de hidrogénio só contem um protão: 11H;
- O núcleo do átomo de carbono tem seis protões e seis neutrões: 126C.
Existem átomos que
diferem pelo número de neutrões. Designam-se por isótopos. Por exemplo o carbono 14, tem seis
protões e oito neutrões: 146C.
Os isótopos são,
frequentemente, instáveis. Decompõem-se, regularmente, no
decurso do tempo. Esta propriedade é aproveitada para realizar
datações, como as que utilizam o carbono 14. Com efeito, sob a
acção dos raios cósmicos, ocorre permanentemente a formação
de carbono 14 na atmosfera, de tal forma que , em cada ser vivo,
existe uma relação constante entre 14C
e 12C. Após a
morte, cessa a incorporação de carbono no organismo e a
quantidade de 14C
vai diminuindo, de metade todos os 5 570 anos. Calculando a
relação entre 14C
e 12C, determina-se
a idade dos organismos fósseis.
Regra do octeto
Os electrões gravitam em volta do núcleo
segundo regras complexas e precisas. Esquematicamente,
organizam-se em camadas de órbitas. A primeira é constituída, no máximo,
por 2 electrões; a segunda e seguintes, por 8 electrões, no
máximo. Os átomos cujas orbitais se encontram saturadas são
extremamente estáveis e não se ligam a outros átomos: são os
gases raros (hélio, o néon, o árgon, o xénon,...). Pelo
contrário, todos os outros átomos têm tendência a organizar a
sua orbital periférica de maneira a atingir a composição do
gás raro que lhe está mais próximo. Esta teoria, conhecida
pela Teoria do
Octeto, e formulada em
1916 por Lewis, é posta em causa em átomos possuidores de mais
de 26 electrões, que são raros nos seres vivos.
Com base nestas particularidades
electrónicas, Mendeleiev
ordenou os átomos conhecidos, na famosa Tabela
Periódica dos Elementos (ou Tabela de
Mendeleiev). No quadro abaixo, apresentam-se os 18 primeiros
átomos da Tabela de Mendeleiev (entre os quais se situam os
principais átomos constituintes da matéria viva), mostrando,
sob a forma de pontos, os electrões periféricos.
Em função da regra
enunciada, podemos verificar que o hidrogénio, para se aproximar
da configuração electrónica do hélio, deverá captar um
electrão. Os elementos da coluna I, pelo contrário, terão
tendência a perder o único electrão periférico, pois a
orbital abaixo está saturada ( o Li com 2 electrões; o Na com
8). Também os elementos das colunas II e III, terão tendência
a perder os seus electrões periféricos.
Os elementos da coluna
IV, o carbono e o silício, tanto podem perder como captar 4
electrões, para atingirem uma configuração mais estável. Ao
invés, os elementos das colunas V. VI e VII procurarão captar
respectivamente 3,2 e 1 electrões.
Esta tendência
espontânea para configurações electrónicas mais estáveis
determina a associação dos átomos em moléculas.
Ligações químicas
a) ligações entre átomos
Existem diferentes ligações entre átomos.
Todas tendem à edificação de entidades suficientemente
estáveis.
Ligação covalente
A ligação covalente é a ligação
química por excelência: dois electrões celibatários,
provenientes de dois átomos diferentes, unem-se de tal maneira
que, uma vez a ligação estabelecida, não mais será possível
saber a qual dos átomos pertencia um dos electrões. Vejamos o
exemplo da formação da molécula de hidrogénio:
Formação da molécula de hidrogénio (H2):
Dois átomos de hidrogénio (H) estabilizam as suas
configurações electrónicas captando-se, mutuamente, um
electrão.
As ligações covalentes podem formar-se
entre átomos diferentes, como o mostra a formação da água a
partir de um átomo de oxigénio e de dois átomos de
hidrogénio.
Dois
átomos podem igualmente partilhar vários electrões.
Formar-se-ão então duplas e triplas ligações. É o caso, por
exemplo, do etileno: cada átomo de carbono partilha dois
electrões com átomos de hidrogénio, constituindo ligações
simples; os dois átomos de carbono, por outro lado, partilham-se
dois electrões entre si, constituindo uma ligação dupla.
Ligação iónica
Um
ião é um átomo que captou ou que cedeu um ou vários
electrões. Cada ião é, portanto, portador de uma carga
positiva (catião) ou negativa (anião). A ligação iónica
resulta da atracção electrostática entre dois iões portadores
de cargas opostas. Nesta ligação, não há partilha de
electrões. O cloreto de sódio NaCl ilustra este tipo de
ligação.
O átomo de sódio tem tendência a perder o
electrão periférico e a transformar-se no catião Na+;
complementarmente, o átomo de cloro tem aptidão para receber
mais um electrão e saturar a sua orbital periférica,
transformando-se no anião Cl- .
Os dois iões atraem-se e constituem a molécula NaCl (neutra).
b) Ligações entre moléculas
Ligação hidrogénio
Um átomo de
hidrogénio ligado de forma covalente, adquire a capacidade de
atrair outro átomo e com eles estabelecer uma ligação (ou
ponte) hidrogénio.
Estas situações
implicam contudo que o átomo ligado de forma covalente ao
hidrogénio possua pelo menos um par de electrões livres, isto
é, que não estejam, eles próprios, envolvidos em outras
ligações covalentes.
A molécula de água
permite ilustrar o conceito de ligação hidrogénio: a ligação
covalente entre o oxigénio e o hidrogénio não é simétrica. O
oxigénio, sendo maior, chama a si o electrão comum. Este
estará mais frequentemente junto do oxigénio, fazendo com que
os hidrogénios tenham uma carga ligeiramente positiva. Em
consequência, cria-se um dipolo.
Em presença de outras
moléculas de água, acontecerá a aproximação das zonas d+
e d- e formação
de 2 ligações hidrogénio, no máximo.
As ligações
hidrogénio desempenham um papel muito importante na estrutura e
no funcionamento da célula. Encontram-se frequentemente entre as
moléculas possuidoras de ligações O-H ou N-H. Pelo contrário
as ligações C-H não permitem formação de ligações
hidrogénio porque os quatro electrões periféricos do carbono
estão todos envolvidos em ligações covalentes.
Forças de Van der Wallls
Quando
dois átomos se aproximam estreitamente, criam uma força
atractiva, designada por força ou interacção de Van der Walls.
Estas forças resultam de flutuações momentâneas da
distribuição dos electrões em cada um dos átomos. Estas dão
origem a dipolos transitórios. Se esses átomos não estiverem
unidos por ligações covalentes, o dipolo transitório de um dos
átomos gerará, no outro, um dipolo antagónico. Então, ambos
se atrairão.
A
energia das interacções de Van der Walls ronda 1 Kcal/mol, o
que mostra como são fracas estas forças. Contudo, quando a
moléculas se encostam em diversos pontos, ou mesmo possuem
formas complementares, as interacções de Van der Walls podem
desempenhar funções importantes. É, nomeadamente, o caso das
interacções anticorpo-antigene, e ainda o caso de muitas
enzimas relativamente aos seus substratos.
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